
Farol do Morro
O ponto mais alto da ilha — onde Dom Pedro II parou, registrou no diário e desenhou no próprio caderno de viagem.
Inauguração
1855
Mais de 170 anos
Visita imperial
Dom Pedro II
1859
Trilha
15 – 25 min
Moderada
Entrada
Gratuita
Mirante livre
Um Guardião Luminoso Sobre a Mata Atlântica
Do alto da trilha, Morro de São Paulo se revela inteira: a Primeira Praia logo abaixo, a Segunda cheia de gente, a Terceira com as piscinas naturais na maré baixa, a Quarta se estendendo até perder de vista, e o azul do Atlântico devorando o horizonte. O Farol do Morro foi construído para servir de referência aos navegadores — acabou virando o melhor mirante turístico da ilha por acidente.
Inaugurado em 1855, o farol marcou o fim de uma era de naufrágios constantes na costa sul da Bahia. As águas rasas ao redor de Tinharé sempre foram traiçoeiras, e a coroa imperial brasileira precisava de um sinal luminoso permanente para orientar a navegação comercial. Quatro anos depois de pronto, o próprio Imperador Dom Pedro II subiu esta mesma trilha para ver de perto o que havia sido construído em seu nome.
A visita imperial está registrada nos diários de viagem de Dom Pedro II, incluindo um desenho feito pelo próprio imperador em 1859, um dos documentos mais curiosos da história da ilha.
O Farol, o Imperador e a Navegação Costeira
Por que construir um farol em Tinharé?
Desde o período colonial, as águas ao redor da Ilha de Tinharé eram conhecidas por seus recifes rasos e correntes traiçoeiras. Embarcações que navegavam entre Salvador e as capitanias do sul precisavam passar obrigatoriamente pela região — e os naufrágios se acumulavam. No início do século XIX, com a intensificação do comércio de açúcar e a abertura de novos portos no Recôncavo, a coroa imperial autorizou a construção de um farol permanente no ponto mais alto da ilha para orientar o tráfego marítimo.
1855 — Luz acesa pela primeira vez
O farol entrou em operação em 1855, com lanternina movida a óleo de baleia. A luz era visível a dezenas de quilômetros de distância e rapidamente se tornou referência de navegação para toda a costa sul da Bahia. A estrutura foi construída sobre a plataforma natural mais alta da ilha, a cerca de 60 metros acima do nível do mar, o que multiplicava o alcance luminoso.
1859 — A visita de Dom Pedro II
Dom Pedro II foi um imperador com interesses científicos e geográficos pouco comuns para a realeza da época. Em sua turnê pelo Nordeste de 1859, ele incluiu Morro de São Paulo no itinerário especificamente para conhecer o novo farol. Segundo os registros, subiu a pé pela trilha de mata atlântica (a mesma que os turistas fazem hoje), vistoriou as instalações, conversou com os faroleiros e fez anotações em seu caderno de viagem. Um dos esboços atribuídos ao próprio imperador retrata a torre e a paisagem vista do alto — hoje um dos documentos mais valiosos sobre a ilha no século XIX.
Séc. XX — Modernização e Marinha
A lanternina original a óleo foi substituída por querosene no início do século XX e, mais tarde, por sistemas elétricos automatizados. Hoje o farol é administrado pela Marinha do Brasil e continua funcionando como referência de navegação, agora integrado à rede nacional de sinalização náutica. A estrutura externa foi preservada, o que permite a visitação turística ao mirante e à base da torre.
O Farol Visto Pelo Imperador
Entre as imagens do acervo está o desenho original do Farol feito por Dom Pedro II em 1859, durante sua visita imperial. Clique nas imagens para ampliar.

Desenho feito por D. Pedro II em 1859 — peça única do acervo imperial

Vista do alto do Morro do Farol — maré baixa, 1988

Mirante do Farol — visita atual
A Trilha até o Farol
Início da trilha
A trilha começa logo depois da Fortaleza do Tapirandu. Siga as placas amarelas do IPHAN indicando "Farol". O caminho é único, não tem perdição — mas os primeiros 200 metros são os mais íngremes.
Como é a subida
Cerca de 600 metros pela mata atlântica preservada, com raízes expostas e escadarias improvisadas em pedra. Na maior parte do tempo você caminha na sombra das árvores, o que torna a subida agradável mesmo no calor do meio-dia. Crianças a partir de 8 anos fazem sem problema.
O que ver do mirante
- • As cinco praias alinhadas da Primeira à Quinta.
- • Os recifes visíveis sob a água azul-turquesa.
- • O canal por onde chega o catamarã vindo de Salvador.
- • Em dias claros, silhueta da Ilha de Boipeba ao sul.
Dicas de quem já subiu
- • Leve 500 ml de água — não há ponto de compra na trilha.
- • Não suba com chinelo de dedo. Tênis fechado é regra.
- • Evite horas de sol forte (11h–14h): a subida fica cansativa.
- • Se for no pôr do sol, leve lanterna para a descida.
Dúvidas sobre o Farol
Quando o Farol do Morro foi inaugurado?
Em 1855, durante o Segundo Reinado, no ponto mais alto da Ilha de Tinharé. Foi construído para orientar navegadores na costa sul da Bahia e reduzir naufrágios.
Dom Pedro II visitou mesmo o Farol?
Sim. Em 1859, quatro anos após a inauguração, o Imperador visitou pessoalmente. A visita está registrada em seus diários de viagem, incluindo um desenho feito por ele próprio.
Qual a dificuldade da trilha?
Moderada. Cerca de 600 metros de subida pela mata atlântica, com trechos íngremes. Tempo estimado: 15 a 25 minutos em ritmo normal. Não recomendada para quem tem problemas sérios de joelho.
Pode subir dentro do Farol?
Normalmente não. O interior é restrito ao pessoal de manutenção da Marinha do Brasil. A visitação acontece na base e no mirante externo.
Qual o melhor horário?
Manhã cedo (7h–9h), quando o sol baixo ilumina as cinco praias pelo leste e a trilha está vazia. O fim da tarde também é popular, mas leve lanterna para descer no escuro.
Tem que pagar para subir?
Não. O acesso é gratuito. A única taxa do destino é a TUPA (R$ 70), paga uma única vez na chegada à ilha.

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